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quinta-feira, 14 de abril de 2011

PETAR

Olá amigos de aventuras, hoje estamos retomando nossa viagem ao centro da Terra...

Depois de uma ótima noite de sono na Fazenda Gamboa, partimos para a segunda etapa de nossa aventura "espeológica" no PETAR.

Segundo dia de visitação ao PETAR e juntamente com outro casal paulista, eu e Lara, seguimos a trilha do Betary (rio que dá nome ao vale onde estão boa parte das cavernas do núcleo Santana). Nosso objetivo era conhecer pela manhã a caverna da Água Suja e no período da tarde a mais “radical” das cavernas abertas à visitação, a Ouro Grosso.

Trilha do Betary (bem estruturada)

Após uma caminhada agradável de aproximadamente 1 hora pela trilha do Betary, chegamos à entrada da Água Suja, esta, diferente das outras cavernas é o que chamam de caverna molhada, já que desde seu início, caminhamos pelo leito de um rio, que percorre toda sua extensão e que em alguns momentos chega ultrapassar nossa cintura.

Entrada da Água Suja


De dentro pra fora


A caverna tem 800m liberados à visitação, após este ponto o perigo aumenta, pois devido a um efeito sifão o rio sobe encurralando o visitante, pois nenhuma das saídas fica acessível na ocorrência desse fenômeno. Tal efeito, que ocorre repentinamente, vem sendo estudado, mas ainda encontra-se sem uma explicação concreta. Nesta caverna passamos por diversos salões e inúmeras formações até chegar a mais impressionante delas: a Flor de Aragonita.
Formações no interior da Água Suja

Já no período da tarde, no Núcleo Ouro Grosso, e sem a companhia do casal paulista, fomos visitar a caverna que leva o nome do local e segundo nossa guia: “-essa não é para todos”. A princípio imaginava que era apenas “papo”, porém quando chegamos à entrada da caverna comecei a acreditar nela. A entrada não tinha mais que 50 cm, assim teríamos que entrar nela agachados, e isso era apenas o início. Logo após a pequena “boca” temos acesso a uma minúscula sala, onde cabem no máximo quatro pessoas, ponto onde temos que escalar uma parede de aproximadamente 3 metros e posteriormente uma descida por uma espécie de túnel que levaria até o fundo da caverna onde encontramos o leito de um rio.

Trilha para a Ouro Grosso

Entrada da Ouro Grosso

E sobe...

E desce...

Além da adrenalina, o principal atrativo desta caverna é que no rio interno existe uma cachoeira, que seria o ponto final de nossa aventura. Fomos caminhando por dentro do rio, por dentro da caverna, por caminhos estreitos, úmidos e apertados até encontrarmos o que parecia impossível: uma cachoeira de aproximadamente 8 metros (infelizmente como a única fonte luz vem das lanternas, as fotos não ficaram boas, mais um motivo para todo irem até lá e conferirem pessoalmente).

Não conseguiria aqui, mesmo que escrevesse muitas linhas, descrever tal emoção ao encontrar uma cachoeira dentro de uma caverna, é um sentimento incrível, apesar de ter o prazer de ter conhecido inúmeras cachoeiras por esse Brasil a fora, nenhuma é tão particular. Após alguns momentos nesse ambiente inacreditável, retornamos à realidade.
Lá fora, já não mais sob a luz das lanternas, ainda tivemos o prazer de conhecer uma casa de palafita, que está aberta a visitação, juntamente com artefatos utilizados pelas comunidades quilombolas que até hoje ainda estão presentes na região.

Um grande abraço à nossa guia Sônia, ela “matou a pau”, nos deu uma aula sobre cavernas e principalmente sobre o PETAR. VALEU!!!
Sônia e Lara faceiras da vida após nossa atividade

Até a próxima aventura!

Marlon R. Silva

segunda-feira, 28 de março de 2011

Aventuras Cavernícolas

Bom dia!

Nos próximos posts vamos variar um pouco o "cardápio". A bike e a caminhada ficarão um pouquinho de lado, de coadjuvantes nessas histórias. Mergulharemos nas profundezas da Terra para desbravar algumas das mais belas cavernas do Brasil. 
Para tanto, partimos em direção à Iporanga/SP, mais especificamente para o Núcleo Santana no PETAR - Parque Turístico do Alto Ribeira, onde passaremos dois dias desbravando suas cavernas.
entrada do Núcleo Santana

Logo que chegamos, fomos para a agência onde nos encontramos com a guia: Sônia (um grande abraço a ela, foi incrível passar dois dias ao lado de uma moradora da região e exímia conhecedora das cavernas que estão no quintal de sua casa).
nossa guia Sônia

Partimos rumo ao parque, registramos nossa entrada e seguimos para nossa primeira aventura, a caverna Santana, é a que possui o maior número de formações, além de ser a que é percorrida em maior extensão, cerca de 800m, dividida em uma série de passarelas e salões, uma parcela mínima comparados aos 7 km de sua extensão total já explorada, agora restrita à pesquisa, dada a fragilidade das formações existentes nessas áreas restritas.
coluna apelidada de "vela"
cresce em média 3mm por ano

Foram 3 horas caminhando dentro da caverna, num ambiente completamente escuro, úmido e de temperatura constante, que era iluminado apenas por nossas lanternas de cabeça, foco de luz suficiente para despertar no visitante a curiosidade para conhecer toda a beleza do local.
aglomerado de formações

Apesar de já termos algum contato com cavernas (em 2008 estivemos em algumas cidades em Minas Gerais que também são ricas em cavernas), esse foi um mergulho completo no mundo da espeleologia, as formações da Santana são incríveis e acompanhados de uma ótima guia a interpretação do ambiente foi ainda mais completa e especial. São estalactites, estalagmites, colunas, cortinas, travertinos, entre outras formações milenares, esculpidas lentamente na rocha calcária que é a base da formação rochosa de toda a região.
nos túneis da Santana

No mesmo dia ainda visitamos as cavernas do Morro Preto e do Couto, a segunda possui um rio interno que se finda e ressurgi como uma linda cachoeira do lado de fora. A do Morro Preto foi palco de escavações arqueológicas que se findaram com a retirada de uma ossada de preguiça gigante, além da descoberta de uma espécie de sambaqui, composto por “conchas” de moluscos existentes nos rios da região, até hoje ainda existem resquícios expostos logo na entrada da caverna que certamente já abrigou moradores pré-históricos.
rio interno na caverna do Couto

agora já sem o rio

saída da caverna do Couto

cachoeira da caverna do Couto

entrada/saída da caverna do Morro Preto

sambaqui na caverna Morro Preto

Cada uma das três cavernas tem sua particularidade, beleza e história, não tem como indicar uma sem indicar a outra, a melhor opção mesmo é conhecer todas as possíveis, procurando sempre um bom guia para acompanhá-lo, que além de ser obrigatório, engrandece muito a atividade.

A sensação de estarmos em uma caverna, “dentro” da Terra, é mais uma dessas que não podemos deixar de sentir antes de morrer.

Um grande abraço!
“Desafie, aventure-se, supere-se!”

Marlon R. Silva